O melhor de Zanzibar e despedindo das praias…

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by on Janeiro 22, 2013 at 8:49 pm

AGORA SIM NÃO PERCAM AS FOTOS NA ABA “IMAGENS”!!!! Consegui colocá-las finalmente!

“Ahsante”…, um obrigado de boca cheia para tudo que Zanzibar deixará em nossas melhores recordações… Se a foto já vale, imaginem a beleza que pudemos vivenciar a 360 graus? Dias lindos e ensolarados, temperatura da água perfeita (nem quente como o Nordeste e nem o gelo de Búzios), cor inacreditável, areias brancas aveludadas de tão finas (parecia pisar em farinha…), vento no rosto, comida incrível, drinks (em alguns locais sem álcool pois a religião muçulmana não permite)…, tudo isso misturado com a arquitetura e o lado cultural de Stone Town, centro da Ilha.
Visitamos 5 das 9 praias mais a Prision Island e o Sand Bank…, a primeira uma ilha que serviu de prisão e armazenamento de escravos e o segundo um oásis também perto de Stone Town, um banco de areia com tendas para sombra e churrasco…, de frutos do mar!!! Lula, polvo…, tinha de tudo!
Pensei em muitas pessoas que adorariam estar aqui: Zé, meu paidrasto…, esse lugar é a sua cara! Isa cunha ía morrer de tanta lindeza. Tia Marly ía cansar de catar pedrinhas e conchas (Bife guardou uma pra vc…).

Praia de Pongwe

Seguem dicas imperdíveis em Zanzibar:

– Passear sem medo e sem rumo e se perder nos labirintos de Stone Town. Não tem como no fim não achar o mar e o meio te enrriquece com o modo de vida dos muçulmanos locais, arquitetura, hotéis e restaurantes escondidos…
– Fechar um preço com algum taxista para fazer um tour pelas praias. Conhecendo todas dá para escolher a que mais agrada (de 35 a 50 dólares)
– Negociar sempre o preço. Se ficar mais de uma noite no mesmo hotel sai mais barato!
– Hotéis: Manch Lodge (o que ficamos, budget, para mochileiros, 40 dólares a diária com banheiro, ar e wi-fi bem bom!). Abuso Inn (midrange, 75 dolares, melhor localizado, com tudo tb e quarto maior). Tembo (midrange mais chique, com piscina e tudo mais, 120 a 135 dolares, em frente a praia com vista)
– Pongwe beach hotel: pra nós o lugar mais bonito de Zanzibar! O hotel oferece um day use (walking guests) que custa 25 dolares por pessoa de CONSUMAÇÃO no bar e restaurante e que te dá o direito a usar suas dependências e a piscina que é alucinante com borda infinita que adentra o mar verde piscina… Super recomendamos!

Pongwe beach hotel

– Praias em ordem de beleza: Pongwe (no pedaço do hotel acima), Kendwa, Kiwengwa, Matemwe, Nugwig.

 

 

 

 

 

 

– Sand Bank: Pedaço de paraíso! Valeu o dia! Fazer com a empresa Nakupenda (a dona é uma italiana!)

 


 

 

 

Churrasco de frutos do mar

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

– Restaurantes em Stone Town que gostamos mais: Amore Mio (sem álcool), Leaving (com e na beira da praia e com JAZZ, perto do túnel), o do hotel Serena Inn é o mais chique e caro, Green Garden (tb sem álcool, escondido perto do hotel Jambo) e o que tem na rua Shangani em frente ao correio!

Torrados do sol e já tristes pois depois de Moçambique não veremos praia por um bom tempo…, nos despedimos dela em grande estilo! Zanzibar (com excessão da intoxicação alimentar que tivemos bizarra…, deixará saudades!

in Africa, Tanzania

Zanzibar: “Heaven…, I’m in heaven!!!”. De -20 a 40 graus.

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by on Janeiro 17, 2013 at 8:01 pm

 

Praia de Kendwa

Praia de Stone Town

 

Sunset Stone Town

 

 

 

 

 

 

 

O paraíso mais que merecido! Vinícius dizia que todo o mundo deveria passar uns dias em Ipanema e como boa carioca respeito mas acrescento que ninguém deveria morrer sem conhecer Zanzibar! Terra de Fred Mercury e das águas azuis turquesas com branca areia. Um arquipélago no leste africano perdido no meio do Oceano Indico!
Optamos pela estrada já que no nosso budget nao cabia o vôo interno que seria mais simples e rápido. Pegamos um ônibus de Moshi para Dar Es Salam (9 horas!!!!!) que é a capital política da Tanzânia. O último Ferry Boat de Dar Es Salam para Zanzibar saía as 16h e já eram 17h quando chegamos. Partimos então no dia seguinte de manhã e em uma hora e meia (exatamente como dizia no Lonely Planet, a bíblia do mochileiro), chegamos a Stone Town, região central de Zanzibar!.
Com colonização árabe, Stone Town é bem pequena mas muito interessante! Mulheres de burca pelas ruas num calor de 40 graus nos deixam inibidas com nossos vestidinhos frescos. Construções que lembram pequenos palácios e umas ruelas bem estreitas e labirínticas! Vale perder (ou ganhar) uns dois dias para conhecer antes de pegar uma van para as praias.

Essa burca é mais saidinha, mostra todo o rosto! A maioria só deixa a mostra a única coisa que a gente esconde com óculos de sol: OS OLHOS!

Praia de Kendwa

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Zanzibar tem 9 praias e o nosso maior dilema aqui foi escolher em qual praia ficar (problemããooo, né???). As praias não variam muito em natureza: todas são lindas! O que varia é a infra-estrutura que cada uma oferece. As do norte tem mais agito, mais restaurantes e bares e foi para onde fomos: Kendwa! Dá para ir a pé em 30 min até Nugwig, uma outra praia!


Vida dura entre um mergulho e uma caipirinha (sim, aqui tem a nossa Caninha 51), entre um jantar na praia a luz de velas e uma soneca na rede… Mas uma boa idéia mesmo vai ser fazer nosso primeiro mergulho scuba da viagem, ainda não sabemos se aqui ou em Moçambique. Vai depender das condições climáticas para colocarmos em prática o que brilhantemente aprendemos no curso de mergulho da X-DIVERS. Ansiosos para a estréia da nossa “GoPro underwater”. Fica como dica o que aprendemos com a equipe da X-DIVERS: comprar a lente plana para mergulho pois a “olho de peixe” que já vem com a câmera por ironia não é boa para peixes!!! O foco fica bem melhor com a plana. Internet, mercado livre, baratinha e chega rápido!

Jantar na praia de Kendwa- norte de Zanzibar

in Africa, Tanzania

O adeus a Moshi e ao Kili, rumo a Zanzibar!

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by on Janeiro 16, 2013 at 5:16 pm

Moshi sem o Kilimanjaro jamais apareceria em qualquer mapa. Cidade feia, perigosa para andar sozinho e sem alguma infra-estrutura para o turista. Mas uma coisa eles sabem bem: pedir TIPS! Nos vêem como moedas gigantes andando pela rua! Pedem, tentam vender, inventam histórias por um Shielling (moeda da Tanzânia). A sorte foi que na volta estava incluído no pacote que pagamos um MEGA hotel para o descanso merecido!

Dá pra confiar???

Depois de ficarmos exatos 15 minutos no topo do Kilimanjaro nossa saga não tinha encerrado ainda! Afinal nenhum teleférico nos levaria até a base. A descida até o acampamento de 4600m também foi sofrida. E tínhamos que correr pois Bife começou a sentir a altitude. Ficou muito tonto e veio trôpego barranco abaixo. Chegou a cair uma vez! O tratamento para as coisas não piorarem era descer…, e rápido! E para surpresa, quando pensamos que degradamos todas as proteínas do corpo, lá estão nossos guerreiros músculos que com 15 minutos carregaram as energias para a descida!
Depois de chegar novamente aos 4800 m, não dá para acreditar no que vemos ao olharmos para trás! Não dá para acreditar no que subimos! Parece que tudo não passou de um sonho. Eles dizem que a subida é no escuro para não enxergarmos o fim. Se não, todos desistiríamos.

Médico loca l- será este nosso fim…, PEDIATRAS?

Não…, esse dia interminável ainda não chegou ao fim. Depois de voltarmos ao camping aos 4600m, nos deixaram dormir por duas horas apenas depois de almoçar um elefante e seguimos para o camping abaixo, aos 3100m. Mais 10Km de descida e rápido! Senti falta do Pole Pole mas também dá vontade de correr para chegar logo.
Dormimos aos 3100 m exaustos e no dia seguinte alcançamos também emocionados o portão da chegada.
Perguntamos às guias quantas vezes elas fazem isso por ano e pasmem: às vezes fazem 3X por MÊS!!!! Muitos porters sobem já no dia seguinte com outro grupo! Sinistrasso…, o que a necessidade não faz e que maravilha é a capacidade de adaptação do ser humano!
Fomos direto para o chuveiro! Melhor banho da vida!!! Quase chorei ao ver a privada! Me deu vontade de abraçá-la! Coisas que por fazerem parte do dia a dia não damos valor ao gênio que inventou!
Piscina, cerveja gelada ou uma Coca Cola daquelas de anúncio, roupas limpas e cheirosas, CADEIRA com encosto!!! Não sabia mais como era bom!
Ficamos mais um dia em Moshi para descansar e seguimos viagem…, rumo a Zanzibar!!!!! Paraíso no meio do Oceano Indico! O Caribe Africano nos espera!!!

Parada do ônibus – almoço galinha com batata frita

 

 

in Africa, Tanzania

NÃO É O FIM mas enfim, a foto que todos esperavam: UHURU PEAK! 5895 m.

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by on Janeiro 15, 2013 at 8:43 pm

Chegando ao UHURU PEAK!

Obrigado Body Tech pelo treinamento e apoio!!!

 

Um agradecimento especial às nossas guias: Saumu e Jacque

in Africa, Tanzania

Parte 6: “SÓ O CUME INTERESSA”. Quinto para o sexto dia. É hoje!!!

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by on Janeiro 15, 2013 at 8:31 pm

22:30h – “Tea ready!” Era quase um cuco mas dessa vez quando ouvimos deu um arrepio… Chegou o grande momento, onde (palavras do Bife) a criancinha chora e a mamãe não ouve! Onde os meninos se separam dos homens… Um frio não pior do que o já esperado (- 5 graus), um lanchinho de última hora na tenda da cozinha e uma vontade enorme de partir. Comprei no Zona Sul o biscoito doce que mais gosto (canudinhos de chocolate) para guardar para este momento onde nada apetece muito. Foi o que comi pelas próximas 12 horas!Parecíamos cebolas com tantas camadas de roupa e mal dava para se mexer dentro delas. Primeiro a segunda pele, depois o fleece, depois uma camada a mais térmica e por cima de tudo a calça e o casaco impermeáveis e corta vento. Duas luvas, duas meias, balaclava, gorro, bastões, água, snacks e câmeras! A bota já há seis meses amaciada para este momento. Fica como dica e série “Summit” da North Face e a bota deles de Goretex. Foi o que compramos e ficamos muito satisfeitos com o resultado! Só passamos perrengue com o material alugado e nos arrependemos de não termos trazido uma boa meia e uma boa luva! Mas já era muita coisa para carregar já que depois seguiríamos viagem por um ano. 

Mais uma vez “POLE POLE” começamos! Exatamente as 23:40h partimos para o que seria o maior desafio da vida. Partimos para um sonho, uma conquista e uma competição contra nada mais nada menos do que nós mesmos. Na nossa cabeça não cabia uma desistência por cansaço. Se tivéssemos que desistir que fosse por questão de saúde ou por exigência do guia. Além dela e da guia assistente, subiram conosco mais dois porters. Um deles para carregar minha mochila pois no dia que cheguei exausta no camping, Bife carregou para mim a mochila nos passos finais e hoje ele não sabia se conseguiria me ajudar. O outro seria para o caso de um de nós precisar voltar carregado. Fiquei um pouco orgulhosa no início dizendo que eu mesma carregaria a mochila até não mais aguentar mas a guia foi enfática em não me deixar!

Seriam 1295m (+ ou – 10Km) só de subida desta vez, partindo de 4600m de altitude onde na base já mal respirávamos. No escuro completo e à luz das “head lamps”. Temperatura que varia de -5 (base do cume) a -20 graus (no topo). Os 200m de subida iniciais foram moleza (na volta vi que nem era mas a adrenalina devia ser tanta que nem percebemos). Passamos pelo camping que fica a 4800m e vimos o movimento da galera se preparando para subir! Seguimos e o frio aumentava a cada passo. Não dava para parar que os dedos congelavam. Aí sentimos muita falta do Camel Back pois para beber água era um sacrifício tremendo. Primeiro porque congelava e tinha que ficar dentro das mochilas e segundo que parava todo mundo inclusive quem vinha atrás de nós! Neste dia era proibido olhar o relógio e o altímetro pois segundo a Saumu atrapalha.

Veríamos que apesar de tanto esforço mal saíamos do lugar.

O cansaço logo veio e a respiração começou a ficar difícil. A frequência cardíaca já lá no alto e o coração pulava. Diminuía um pouco o ritmo mas parar nunca: necrose da ponta dos dedos na certa! Era muito frio! A meleca escorre igual quando você come uma pimenta muito forte e congela no lábio. Dói! Tudo passa a incomodar até as mínimas coisas! Silêncio total, ninguém fala, só respira, ou tenta. Algumas pessoas passavam a gente e você se preocupa se tá lento de mais. Mais a frente as mesmas pessoas sentavam um pouco e as passávamos novamente. Bife diz que me perguntou várias vezes se eu estava bem…, não lembro! Provavelmente não devia estar para não lembrar. Mas seguíamos. Não sei há quanto tempo e nem se faltava muito mas faltava muito! Quando conseguia olhar para o alto (até isso é difícil) via vários pontinhos luminosos no céu e inocentemente achava que eram estrelas até que elas se moviam! Era apenas as “head lamps” acesas na escuridão de pessoas tão mais sortudas por já estarem tão alto! Tinham estrelas também…, tudo se confundia! Muita gente pra trás…, coitados!. Se aproximou da gente um grupo meio barulhento. O guia ficava imitando um lobo! Isso me irritou tanto que tive que parar para eles passarem. Nessa hora Bife conseguiu tirar da Saumu a altitude que estávamos: 5200m! Ganhei uma injeção de energia extra pois uma das meninas do programa Extremos que passou há pouco tempo no Multishow e que também escalou o Kilimanjaro, desistiu junto com o câmera-man exatamente nesta altitude! Estava exausta mas não aleijada, com o frio maior do mundo mas não congelada (ainda) e respirando com muita dificuldade mas ainda com sensação de plenitude. A dor de cabeça era mínima e acho que nem foi pela altitude e sim por tanta coisa apertada na cabeça (touca, head lamp e protetor de orelha). Nada de enjôo ou tonteira mas também não conseguia comer nada, nem mesmo meus canudinhos que tanto amo ao nível do mar! Bebíamos pouca água…, muito transtorno!  

Bife disse que ficou pensando em coisas boas para dar forças para seguir em frente como o BB Lanches (lanchonete no Leblon que amamos), uma tijela de açaí bem grande com granola. Não sei se por isso, de repente, quando dei uma paradinha para beber água, de forma fulminante ele sumiu no escuro bem no meio das Neves Eternas… Saumu mandou um porter segui-lo: distúrbio de comportamento? Edema cerebral? Nãaaaao! Apenas algo que não daria tempo de guardar para a volta: uma caganeira fulminante (palavras dele) ali mesmo, nas Neves Eternas do Kilimanjaro! Coitado, que situação! A – 10 graus! Um perrengue sem tamanho para todos (pior pra ele, lógico) pois ficamos esperando e nessa espera meus dedos congelaram. Doeram tanto que a guia ficou preocupada fazendo massagem nas minhas mãos e pedindo para que eu não parasse de mexer os dedos dos pés. Trocou de luva comigo e daí vi que a que aluguei era uma bosta!

Bem…, aos trancos e barrancos e congelados seguimos. Até voltar de novo ao ritmo anterior demorou e daí em diante as coisas pioraram para o meu lado! Comecei a me sentir muito fraca e até meio zonza apesar de ter conseguido comer umas castanhas quando paramos. Mas não me daria por derrotada…, não agora apesar de ainda faltar muito! Devíamos estar a uns 5400m. Cada passo era já uma dificuldade, a lombar gritava: “ei…, tô te avisando há horas, você não vai parar nunca?” Não sabia mais se chegaria! Várias coisas passavam pela minha cabeça e desenvolvi várias técnicas para que não desistisse! Boba pra caramba pensava no filme da Noviça Rebelde naquela parte final que eles tem que atravessar a fronteira da Áustria por uma colina gigante e se eles não conseguissem, o exército alemão os prenderia. Pensava em um exército alemão atrás de mim na época da Segunda Guerra! Tinha que seguir se não seria pega. Se conseguisse chegar ao UHURU PEAK teria a liberdade política! Com essa historinha ganhei muitos passos! O outro pensamento que muito me ajudou foi mentalizar os meus pacientes com câncer…, muitos fracos, enjoados pela quimioterapia mas de pé, lutando pela vida sem terem escolhido estar ali. Eu escolhi estar no Kilimanjaro! Eu não estava doente e sim cansada, exausta! Mais força…, mais um passo! Aqui um passo conta muito pois como lemos: “ UM PASSO A MAIS É UM PASSO A MENOS!”

Climb Every Montain- A Noviça Rebelde

O frio aumentava. Devia estar beirando já uns – 15 graus. Era insuportável seguir até que veio outra injeção de energia: O SOL já ía nascer!!!!! No horizonte atrás da gente, uma faixa rosa alaranjada já despontava. Alegria dupla pois isso significava também que já devíamos estar andando há pelo menos umas 5 horas. Tínhamos que estar perto, não é possível!!! Mas do alaranjado no horizonte (queria poder me mexer para uma foto mas morreria congelada!) até o sol resolver aparecer foi uma eternidade! Achei que já tinha chegado no céu mas eram só 5600m. Quando conseguia olhar para trás uma paisagem das mais lindas que já vi…, chorei de novo! Uma merda pois isso significava nariz entupido e consequentemente menos ar! Saumu nos fez parar por segundos para tentarmos ver os glaciares tão mais perto. Com isso senti o frio maior do mundo! Nunca mais reclamarei dos dias quentes de verão…

Bife bem atrás de mim seguia calado (segundo ele, falou comigo muitas vezes!). De repente minhas pernas começaram a ter vontade própria: começaram a ir para o lado errado, ou melhor, para qualquer lado e para todos os lados ao mesmo tempo. Achei que cairia. Achei que era drama. Fingi estar bem, respirei fundo e aí sim, quase caí! Senti duas mãos apoiando por trás minha cintura. Se fosse o King Kong, Fred Krugger, Jason, um Gremlin ou o Bruno goleiro deixaria do mesmo jeito! Graças aos céus era só a guia me dando apoio que ainda assim não foi suficiente. Pensei em desistir! O exército alemão me pegaria! Segui mais e quando quase caí de novo meus dois braços foram jogados por sobre dois ombros. Bife disse que não foi o dele. Por alguns minutos caminhei assim. O sol saiu. E quando menos esperava vi despontar uma placa: STELLA POINT! A 5745 metros de altitude. Mais 145 m estaria no UHURU PEAK!!!

Não podia mais seguir. Ou será que podia? Parei por uns minutos. O sol vinha. O dia clareava. Fiquei em pé sozinha e decidi perguntar a Saumu o que ela achava. Ouvi: VAI…, VOCÊ CONSEGUE!!! FALTA POUCO!!! O sol já vai esquentar tudo! Minutos que me devolveram um pouco de perna e um pouco de fôlego. Segui. Pole pole…, nem precisava mais pedir! Cada passo durava uma eternidade. O sol finalmente nasceu e pelo meio dos glacieres adentrava as Neves Eternas, já conseguindo olhar para os lados pois o caminho ficou menos íngrime. O QUE ERA AQUILO??? Nunca vi nada tão bonito! Estava literalmente no céu! Foi quando, já caminhando lado a lado, eu e Bife avistamos juntos a placa : UHURU PEAK!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! UHUUUUUUUUUUUUUURU PEAK!!!!!!!!!! Tã nã nã nã nã nã (música do “Carruagens de fogo”)…! Saumu pede a câmera e começa a nos filmar chegando. Choramos! E dessa vez não foi só eu…

Stella Point – 5745 m

 

in Africa, Tanzania

Parte 5: O dia que parecia nunca chegar! Manhã do ATAQUE AO CUME! Quinto dia.

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by on Janeiro 15, 2013 at 7:20 pm

 

O paredão que descrevi no post anterior!

 

Como escolhemos fazer o trekking em 7 dias e não o de 6 pois os relatos de sucesso eram maiores, tivemos a sorte de ter mais este dia onde saímos de 3963m para 4600m logo de manhã cedo. Se tivéssemos escolhido o de 6 dias, teríamos que ter somado essa caminhada à do dia anterior, o que pra mim seria um fracasso dadas as condições em que cheguei ontem no camping. Fora que depois de andar isso tudo teríamos que partir em menos de 12 horas para o cume pois saímos de madrugada (em torno de 23-24h).

Acordamos com uma mistura de tudo um pouco mas muito de nada: um pouco de tonteira, um pouco de dor de cabeça, um pouco de dor muscular (impressionante a capacidade de recuperação muscular que temos), um pouco enjoados. Ah sim, MUITO ansiosos para a noite chegar logo. Conseguiríamos¿¿¿ Essa manhã de trekking foi mais curta (mas também nem tanto: 4Km em mais ou menos 3-4h) para podermos chegar cedo no camping, almoçarmos logo e dormirmos um pouco a tarde ou pelo menos tentarmos pois exatamente as 23h partiríamos para o CUME! O TETO DA ÁFRICA! O cansaço é tanto que dormimos apesar da falação que sempre vem da barraca dos porters. Ô povo pra falar!!! Mas tudo bem, eles tem muuuitos créditos com a gente por carregar na cabeça, nas costas e até na testa nossa infra-estrutura da montanha. O bom e que cada dia que passa eles carregam menos comida e com isso menos peso! Dormimos com ela ali, agora bem pertinho, esperando a nossa chegada! Só para vocês entenderem, tudo é considerado Kilimanjaro, desde o portão de entrada mas quando dizemos toda hora a montanha, o cume e etc…, é porque ela tem uma última parte bem mais íngrime que todo o resto que contém os glaciares e a visão para a gente é de uma montanha na montanha. Como um bolo de noiva com duas camadas! Nas fotos dá pra ver melhor apesar de lá ela parecer tão mínima pro que é a olho nú!

 

Agradecendo o apoio da Body Tech! Sem ele não chegaria até aqui!!!

in Africa, Tanzania

Parte 4: o corpo e o seu limite…, Mel chora! Quarto dia.

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by on Janeiro 15, 2013 at 11:13 am

Gelo na barraca!

 Nunca confie nas palavras de um vendedor, advogado ou de um AFRICANO! Não sei se por ser um povo pobre e sofrido acostumado a sentir calor, passar fome, não ter qualquer tipo de luxo e andar e andar…, só sei que a referência deles para limite é bem diferente do resto do mundo. Quando dizem que faz um pouco de calor é porque está 40 graus e não 50. Quando “dá para ir a pé”, pode saber que isso são pelo menos quilômetros, quando a comida sai rápido isso é pelo menos 1 hora. Agora imaginem no quarto dia de trekking pesado no Kilimanjaro quando você já sente músculos nunca antes percebidos e quando você já acha que o pior já passou com excessão do último dia (ataque ao cume) sua guia te diz que o dia será um pouco mais longo que os anteriores¿ Até aí tudo bem! As manhãs eram sempre ótimas pois como íamos dormir muito cedo e num frio de doer a espinha, chega uma hora que dá vontade de acordar logo pro sol sair e você começar a andar e tudo esquentar de novo. Bom que ainda tínhamos fome para repor as energias. Na noite anterior comemos um macarrão a bolonhesa que estava divino! O cozinheiro que também é porter manda muito bem e dá gosto de ver o nosso “Rafiki” (amigo) Amis (nome dele), o garçom, trazer a comilança pra gente. Acho que ele só aprendeu umas 5 palavras em inglês e qualquer refeição ele chamava de “dinner”. Então era o dia todo: “dinner ready”!!!!

Ready to go…, partimos! Nossa amiga Kilimanjaro veio dar bom dia e apareceu para nós em uma manhã linda de sol e sem nuvens. Quando de repente, com olhos ainda perdidos pela beleza dos glaciares no topo da montanha (as famosas “Neves Eternas do Kilimanjaro”), nossa guia Saumu começa a mostrar o início do nosso trekking pelo outro lado: UM PAREDÃO SEM FIM! Algumas pessoas já tinham saído e podíamos ver pontinhos coloridos andando em fila pelo rochedo que iríamos subir! Aí tive (Mel) minha primeira dificuldade. Bife estava bem tranquilo tirando a dor de cabeça. As pernas aguentaram na boa mas quando o esforço para subir era um pouco maior e você precisava dar daquela puxada de ar…, cadê ele¿¿¿¿ É uma sensação muito estranha, você enche o peito todo de ar mas ainda assim isso não te satisfaz e você continua com a falta dele! E o paredão era só o início. Continuamos por altos e baixos até que finalmente enxergamos o próximo camping já bem cansados. Daí…, mais um aprendizado: ver o camping não significa que você está perto dele! Você só sabe que está chegando quando finalmente começa a ouvir vozes. O camping estava na margem oposta de um vale imenso. Ou seja: descemos o equivalente àquele paredão inicial para depois termos que subir tudo de novo.

Cheguei cambaleando no camping e não consegui nem ir na casinha de registro. Todo camping que chegamos na montanha tem um livro onde você anota nome, idade, país e etc… Bife foi até lá e eu direto para a barraca. Quando ele chega na barraca me encontra em lágrimas e no meio de uma TPM (tensão pré Montanha). TPM de verdade não tem como porque primeiro de tudo é impossível interromper a pílula nessas condições. Já é um perrengue sem, imaginem com¿ E segundo que seria suicídio na certa! Bom, estava mesmo é com um medo gigante dos próximos dias. Se estava já no limite do corpo como aguentaria¿ Comecei a ter pensamentos derrotados. O físico foi pra cucuia junto com o psicológico. Daí o legal de você ter uma boa companhia nessas horas que te coloque pra cima e te dê forças para seguir! Bife me filmou chorando acabamos rindo, aos poucos fui descansando, o banho de lenço parece ser porcalhão mas “É O QUE TEMOS PRA HOJE” (frase nossa que virou um jargão na montanha) e por incrível que pareça relaxava tanto quanto um banho de um hotel 5 estrelas.

Dormimos a 3963m e neste dia foi um total de 6Km. Queria eu que tivessem sido retos…

in Africa, Tanzania

Parte 3: depois dos 4600m…, desce tudo de novo! Comendo com ratos…

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by on Janeiro 13, 2013 at 4:54 pm

Hello my friend…, tea ready!!! Good morning! Chegava o rafiki (amigo) com nosso chá matinal pra acordar e aquecer! Só que dessa vez quando ele abriu a barraca, meu irmãaaao…, GELO! O zíper congelado e crostas de gelo por sobre o nosso teto! Daí a importância de escolher uma boa agência. Barraca boa e um super saco de dormir fazem a diferença. Escolhemos após muita pesquisa a Ahsante Tours que é intermediária no preço e achamos ótima!
Pra sair foi difícil! Cada dia mais roupa e mais peso na mochila! E adivinhem??? Pé na montanha!!!!! Sempre de manhã ela aparece pra gente linda, imperiosa e com um ar bem superior (literalmente). Na confusão mental da altitude misturada a um grau leve de edema cerebral quase podemos escuta-lá : VEEENHA!!!!! A tarde com o calor do dia encontrando as neves eternas, tudo condensa e nuvens a cobrem. Santa natureza! Se após tanto andar olharmos pra cima e enxergarmos o quanto falta, é pra desistir! 
Chegamos pole pole a 4600m onde paramos para comer nosso almoço que carregamos na quentinha. Saumu, nossa guia disse que muitos já enjoam aí e mal conseguem comer! Estávamos bem, ainda, comemos tudo apesar da companhia não muito agradável: ratos! Saíam por vários buracos… A sorte é que eram daqueles mais bonitinhos…, ou eu já estava vendo o Mickey Mouse no lugar da ratazana!


Esqueci de falar da nossa guia, Saumu! Ela começou como “Porter” e se tornou a primeira guia mulher do Kilimanjaro!!! Muito sinistra e competente. Mais uma inspiração para que eu seguisse. Com ela na frente, eu, Bife e Jaque (sua assistente) na traseira da fila indiana seguíamos acostumando a respirar com pouco O2, e adaptando aos perrengues do dia a dia! Até Bife que não dorme com claridade ou barulho era o primeiro a apagar na barraca! Começa o medo do que virá pela frente…!

 

O tão falado banho de lenço!

O quarto!

in Africa, Tanzania

Parte 2: Para o alto e avante! A adaptação…

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by on Janeiro 13, 2013 at 8:41 am

 O ser humano é realmente uma obra prima! Acordamos sem nenhuma dor muscular (graças), conseguimos dormir nas condições relatadas mas com uma dor no ossinho da bacia por dormir de lado. Nosso despertador matinal diário as 06:00 era um dos “Porters” que também era o “garçom” e sempre falava do lado de fora da barraca: “good morning, tea ready!” O ritual era se encasacar para sair, escovar os dentes na tijelinha que ele trazia com água quente, ida ao doloroso banheiro (geralmente acordávamos com as bexigas no tórax de tão cheias por causa do Diamox que tem efeito diurético…) e sentar na barraca-cozinha para tomar café! E como comíamos aquele café de gringo: omeletes, salcicha, pão com pasta de amendoim e tudo altamente calórico para aguentarmos a jornada a vir… Naaaaada light…! O gasto calórico diário é em média é de 5000 calorias (ESSA É A PARTE BOA!) portanto comíamos sem preocupação… Depois do café arrumávamos nossa “daypack” que era a mochila que carregaríamos para o trekking do dia e o resto ía nos mochilões com os porters. Descobri no meio deles uma porter mulher!!! Acreditam?????? Colocava o peso na cuca e lá ía ela! Minha inspiração…!

 Começamos a subida do segundo dia que seria de 7Km (até 3840m) por umas 6h. O problema não é subir 890m (altura parecida com a Pedra da Gávea) e sim fazer isso na altitude que é muito pior além de ter que subir e descer várias vezes pelo caminho que não é reto para cima e sim com altos e baixos o tempo todo. Por um lado bom para a aclimatização mas por outro: ANDA-SE MUITO! Nutricionalmente correto era a gente parar de hora em hora para um isotônico ou uma barrinha de proteína ou uma castanha… Vai achar isso para comprar na Tanzânia!!! Impossível! Artigos de luxo máximo! Demos mole de não trazermos do Brasil achando que aqui teria! Mal tem água potável!!! Era do riacho mesmo onde colocávamos os tabletes de cloro!

A trilha deste segundo dia foi dura mas era mais legal com escaladinhas em rochas, riachos e uma vista já muito alta, acima das nuvens e linda! Chegamos no segundo camping já de tarde com o tempo ameaçando chover de novo! Apesar de morta demos um pique desobedecendo o “POLE POLE” para não pegar chuva!!! O camping estava entre as nuvens a uma temperatura que chegava a ZERO grau! Congelante! A respiração ficava cada vez mais difícil e o Bife começou a ter dor de cabeça! Eu apesar de exausta fisicamente por ter tido menos tempo do que gostaria para o preparo físico, estava bem. Bem com frio, bem com fome, bem com saudade da minha lixa pois a unha estava preta e bem com vontade de ir ao banheiro (neste momento sonhei com uma colostomia…, quem diria!!!). Bife acabou de me pedir para escrever que ela estava sobrando de preparo físico (pra me irritar…, mas pior que estava mesmo! FC 60 bpm). Minha frequência cardíaca basal começou a subir (94bpm). Jantamos, fotografamos, li um pouco do livro sobre o Gandhi que levei para ficar bem Zen já com a Head Lamp e no escuro completo! Me senti um pouco tonta mas nada demais! Infelizmente por diferença de pressões na altitude soltamos mais gases por cima ou baixo. Somado aos ovos com salcicha…, imaginem como foi nossa segunda noite!

in Africa, Tanzania

Parte 1: Kilimanjaro… o drama físico, fisiológico e mental!

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by on Janeiro 12, 2013 at 8:18 pm

NÓS OS SUBESTIMAMOS!

Estudamos o mal da altitude, lemos relatos, vimos zilhões de vídeos e ainda assim é indescritível tudo o que passamos nestes últimos 7 dias na montanha mais alta da África, considerada um dos “Seven Sumits” do mundo! Foram 7 dias de trekking pesado e longo (média de 7h por dia entre subidas e descidas por vezes bem íngrimes) e na altitude que varia de 1840m (portão) até o pico mais alto (Uhuru Peak 5895m), faça chuva ou faça sol, calor ou frio de congelar os dedos. Tinhamos tudo: equipamento, força de vontade, treinamento, psicológico no lugar e saúde em perfeito estado. Mas tudo isso ao nível do mar! A medida que subíamos e menos oxigênio respirávamos,  a relação esforço x tempo x distância ficava totalmente alterada, a perna tremia a cada dia, o equipamento funcionava apesar de fedorento e imundo, o frio aumentava e com ele o incômodo para ir ao banheiro e dormir na barraca de camping dentro do saco de dormir e aos poucos o humor ía mudando, o treinamento ficando leve para o que era (a vontade era voltar no tempo e subir 20 vezes a Pedra da Gávea no mesmo dia!) e o psicológico abalava pelo esforço extenuante e pelas condições adversas . Graças ao Diamox (Acetazolamida) que tomamos como profilaxia do mal da altitude, a saúde ainda era boa mesmo acima de 3000m. Mas a força de vontade nos fazia mover… POLE…, POLE, que significa devagar em Swahili (língua da Tanzania). Este é o segredo: devagar e sempre!

Escolhemos a rota Machame em 7 dias pois era a mais fácil de aclimatização apesar de ser uma das mais longas e de termos que dormir em barracas e não em cabanas. Nosso primeiro dia começou em uma floresta! Mal sabíamos o que nos esperava! Começou uma chuva torrencial e nossas mochilas “a prova d’agua” ficaram ensopadas com tudo o que estava dentro. ! Dica numero 1: teste todo o seu equipamento antes! Ex: nosso Camel Back não funcionou o que mais para frente vocês verão QUE problema!

Quando achei que já estava quase no topo do Kili de tanto andar: pausa para o almoço! Ainda era apenas a metade da escalaminhada do dia! Fora que tinhamos que carregar 3 litros de água por trekking na mochila + almoço + snacks + capa de chuva…, ou seja, pelo menos uns 5Kg nas costas! Neste momento descobrimos o nosso primeiro banheiro… BIZARRO!!! Quando soube que assim seria por 7 dias rezei para ter uma prisão de ventre até fazer fecaloma!!! Um buraco no chão dentro de uma casinha de madeira com um cheiro que sentíamos à distância onde ninguém parecia ter a mira correta! Bife com sua sutileza nata resumiu com a seguinte frase: “ou você caga ou o banheiro te caga!” Keep walking…, seguimos! Após 7 horas e 9 Km chegamos no acampamento a 2980m de altitude.

Barracas montadas com quarto e cozinha separados, primeiro banho de lenço umidecido, fim de tarde inacreditável com a montanha ao fundo! Pausa para foto. Quase morri ao descobrir que apesar de ter feito os “Porters” carregarem meu tripé…, esqueci a sapata, peça que encaixa a máquina! Pensei na cara do meu professor de fotografia neste momento (espero que ele não esteja lendo isso!). Primeiro abalo psicológico! Jantamos e começamos o nosso ritual diário para tentar dormir! Não foi fácil mas pegamos o jeito. Sacos de dormir na inclinação da montanha para que a cabeça fique mais alta, apoio nos pés para você não escorregar pelo isolante térmico, virar igual frango de padaria de uma lado para o outro a noite toda para não doer as laterais de apoio (e não fazer escara!), ir profilaticamente ao banheiro antes de ir deitar para não ter que acordar no meio da madruga e se manter aquecido! Pena que só descobrimos tudo isso no 3º dia. Dormíamos com o por do sol e acordáva-mos com o seu nascimento!

MAIS FOTOS EM ” IMAGENS”…!!! 

 

 

in Africa, Tanzania

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