Bife “Highlights”…, finalmente! 27 dias de África na sua versão.

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by on Janeiro 30, 2013 at 3:58 pm

Pessoal, após quase um mês de viagem pela Africa, comecarei a contribuir para o nosso site também. Adianto que não tenho o mesmo dom de escrever da Mel, escrevo de uma forma mais ogra mesmo, até pelo fato de não ter tanto saco para computador….mas acho interessante vcs poderem ler através de um outro ponto de vista…até porque os gostos e interesses das pessoas são diferentes….

 

Por questão de gosto e interesse, acabamos naturalmente separando um pouco as nossas “obrigações” rotineiras: eu fiquei responsável pela parte de logística (definição do roteiro e meios de transporte, reserva de hotéis e vôos, orçamento (para honrar a minha fama injusta de “pão duro”) e a Mel pela parte de atualização do site, tratamento de imagens e vídeos, facebook e envio de material para apoiadores….uma “gerente de comunicação”…

Durante esses 27 dias já fizemos e passamos por tantas aventuras que fica até difícil de resumir…mas vou tentar separar por assunto:

 

1 – Kilimanjaro

Achei alucinante!! Lendo o relato que a Mel escreveu, com certeza muitos de vcs devem nos achar uns malucos…mas realmente não recomendo para qualquer um não!!! É difícil e vc realmente tem que tomar isso com um objetivo para conseguir levar numa boa e se divertir….mas no final das contas, quando depois de 6 dias de sacrifício e perrengue, sem banho, fazendo cocô no chão, dormindo em condições mínimas…vc chega no topo, depois de 7 horas de subidas a mais de 5000 metros…a sensação de conquista é indescritível!!! Passa um filme na cabeça com todo o treinamento e esforço que vc teve que fazer para estar ali…muito legal…alguns amigos (Alexandre, Mauricio, Butico e Gabi, Marcio e Ju, Marcinho, Leco e Isa) nos acompanharam nesse treinamento em algumas trilhas e sabem do que estou falando.

Recomendo um treinamento de uns 5 meses com muita trilha, subida de montanha, corrida, subida de escada e adaptação mental para aguentar perrengue….muito perrenge!!! Na minha opinião a parte mental tem um peso enorme…tão grande quanto a física….eu particularmente achei o esforço fisico até tranquilo (tirando o último dia aonde andamos 20 Km em 13 horas sendo que grande parte acima de 5000 metros!!!! Esse dia foi foda!!! A Mel foi uma heroína de aguentar! Acho que vale aprender a fazer cocô agachado até o tornozelo sem se apoiar em nada por 5 minutos para não correr o risco de cair no chão todo cagado nos banheiros dos acampamentos…acredite em mim…será a pior experiência da sua vida….treine antes!!!! Tb vale um trekking de 2 dias, tipo Petropolis-Teresópolis, para ver como é a sua adaptação à falta de banho e banheiro….

 

2 – Africa de mochila e por conta própria

Quando lemos o cadermo BOA VIAGEM (sai no jornal o Globo do RJ) vemos muitas propagandas de pacotes para a África: Safari no Serengueti, Massai Mara, visita ao Cabo da Boa Esperança, Kruger Parque, as praias das Ilhas Maurícius……todos são muito legais e bem organizados e contam com estrutura para atender os mais exigentes: desde hoteis 5 estrelas até jantar de luz de velas do meio de savanas….e é nesse tipo de turismo que 99% das pessoas vêm para a Africa. Não tem erro….

No nosso caso, as coisas são bem diferentes dessa realidade acima…ou melhor…no nosso caso as coisas são a verdadeira realidade do continente Africano, ou seja: falta de estrutura de hotéis, estradas, aeroportos, meios de transporte…falta de serviço em geral.

E com o tempo isso vai cansando e a paciência vai diminuindo….somado a isso ainda sofremos diariamente e a todo instante a tentativa de sermos roubados em qualquer tipo de situação: em uma corrida de taxi, na compra de uma banana, quando entramos no quarto e vemos que o ar esta quebrado e não tem água quente (diferentemente do que foi falado no check in)…basta colocar o o pé na rua para sermos vistos como uma “oportunidade de ganhar dinheiro”…..é preciso jogo de cintura para driblar esses percauços sem arrumar problemas….em muitas das vezes tive que literalmente “segurar a onda” para não mandar neguinho para a puta que pariu!!! E esse tipo de situação, por questão de jeito de ser, fica sob minha responsabilidade…mas pelo menos eu sou mais cara de pau do que os que tentam me roubar…não tenho vergonha nem problema alguma de cobrar absolutamente tudo que é prometido….já mudei de quarto 4 vezes sem a menor vergonha….e se ficarem de cara feia não tou nem aí….aí que gosto mesmo….

Resumindo….viajar de forma independente pela África exige uma dose de paciência, jogo de cintura e  humor muito maior do que em qualquer outro lugar. Lógico que em qualquer lugar do mundo aonde haja um turista haverá alguém para roubá-lo…mas aqui o nível é outro.

Depois de tudo isso, vcs devem estar pensando que estamos de saco cheio, estressados, arrependidos e doidos para irmos para outro continente certo¿ ERRADO!!! Afinal de contas o nosso objetivo principal com nossa viagem de volta ao mundo é ENRIQUECIMENTO CULTURAL…e isso só seria possível vivenciando o dia a dia da população da forma mais real possível…ou seja…andando de transporte locais…comendo em restaurantes locais…passando os apertos que a população desse continente mais pobre de todos passa a todo instante. Será que teria a mesma graça se estivéssemos em um hotel 5 estrelas dentro de um lindo parque nacional???

O grande barato dessa viagem é exatamente esse….um dia estarmos dentro de uma van com 32 passageiros (inacreditável!!! Só vendo para crer…) e no outro em um lindo trem na Suíca vendo os Alpes e comendo um delicioso chocolate…assim realmente teremos uma visao 360º desse mundo enorme e ao mesmo tempo tão pequeno…..

 

Parada para um ananás…, esperando a estrada abrir Maputo-Tofo!

Moçambique…, lixo na rua e a falta de lixeiras!

 

in Africa, Mocambique

Mais de Moçambique…, huuummm…, será?

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by on Janeiro 27, 2013 at 5:17 pm

Viajar pela África de mochilão não é de longe como é na Europa (com excessão da África do Sul)! As distâncias são enormes, os transportes caros e com mínimas condições e os lugares e roteiros fora do circuito turístico não são tão novos assim para nós como para os suíços por exemplo. Pobreza…, vemos aos montes! Frutas tropicais idem. Agora entendo porque os livros de história diferenciavam países subdesenvolvidos dos “em desenvolvimento”. Não dá para comparar o Brasil com a maioria dos países daqui. Com excessão da costa que é realmente linda e dos Safaris, o que podemos perceber é que até as capitais dos lugares teoricamente mais desenvolvidos como achei que seria Moçambique e Maputo não passam de pequenas cidades sem muita infra-estrutura. Lixeiras nas ruas não vemos por kilômetros e tampouco existe por aqui uma academia ou um McDonalds (quem diria?). Mas uma Coca todo o mundo sabe o que é! Segundo o Bife (não sei de que fonte ele tirou isso) Coca Cola e OK são as duas palavras mais faladas mundialmente! Não tem adoçante ou coisas light ou diet, não servem queijo no “pequeno almoço” (como em Moçambique eles chamam o café da manhã), nas “casas de banho” (toiletes) às vezes tem privada…, às vezes buracos no chão. Malária aos montes…! As agências de viagem são para chorar…, compramos todos os vôos internos sozinhos na internet (foi mais fácil!). O museu maior de Moçambique (de História Natural) oferecia um guia que quando perguntei que tipo de tubarão era aquele que víamos, ouvi como resposta: “Ahhh…, esse? Vem do mar!” Chegamos à conclusão que a África feita de caminhão com uma empresa overlanding é a melhor saída para os mais aventureiros!

Mas, falando de coisas boas, é muito legal poder apenas andar pelos lugares e ir descobrindo uma praça aqui, outra feirinha ali, ver como é diferente a maneira que as mães carregam seus filhos: carrinhos de bebê são substituídos por cangas! Elas tem uma técnica muito boa onde a criança é jogada nas suas costas com a mulher abaixada que passa a canga pelo bumbum do bebê e a amarra na frente como fazemos com a toalha de banho! Ver as técnicas que cada um tem de negociar seus preços (essa parte deixo para o Bife que adora!) e ver o quanto economizamos se barganharmos um pouco! Até eu que sempre tive vergonha já estou craque! Muito bom também aqui já podermos caminhar pelas ruas sem que milhões de nativos nos tente vender algo. Até mesmo as noitadas voltaram a existir! Locais que tocam jazz, UMA boite e até um cassino! O modo mais legal de ir de um lugar ao outro é de Tuk-Tuk (tipo uma scooter acoplada a uma mini charrete atrás). Na ásia tem muito, Bife já conhecia.

Em dois dias rodamos por Maputo inteira. Da parte rica (que fica num lugar mais alto com vista para o mar) até a “Baixa”, como chamam a área que estamos, mais pobrinha e consequentemente mais barata. Hoje dormiremos em um albergue por 30 dolares de onde partirá nossa van para a praia de Tofo…, as 4:40 da matina!!! São 8h de viagem até lá. Ao lado tem Tofinho, praia boa para quem surfa! Única até agora!

Provavelmente…, até a volta! Acho que vai ser difícil internet por lá!

———- Isso acima escrevi antes do dilema abaixo: Tofo, A VOLTA DOS QUE NÃO FORAM!!! Continuem lendo!!!

Mas como diz o ditado e adoro frases feitas: nada é tão ruim que não possa piorar! O parágrafo anterior amenizou um pouco as coisas para agora vir a pior parte: nossa interminável e torturante tentativa de ida a Tofo. Bookamos no albergue a van que nos levaria segundo a recepcionista com “condições mínimas” já que a outra opção era o ônibus local (segundo ela pior). Deveríamos ter suspeitado que “mínimas condições” não era somente por não ter um ar condicionado ou pelo banco não deitar! Mas pela primeira vez na vida me senti como sardinha em lata. Já entramos com a van cheia e olha que ela não estava nem na metade da sua lotação! Foi entrando gente e mais gente até ninguém mais poder respirar profundamente… Malas pelo chão, acima das cabeças e um cara do meu lado com um perigo iminente: uma dúzia de ovos que ele apoiava sua cabeça. Somado a cecê, uma música alta medonha e nosso iPod quebrado, vocês podem imaginar? Pois é! E quando digo que pode piorar é porque com 3h de uma viagem que duraria 7h, a estrada quebra! Por causa das chuvas uma barragem foi rompida e a ponte destruída. Kilometros de engarrafamento e carros parados. A casa caiu…, ou melhor, a ponte caiu! Tentavam consertar…, sem previsão! Calor africano… Muito antes disso Bife já tinha socado um saco de pão que caía na sua cabeça…, tipo Michael Douglas no “Um Dia de Fúria” e queria ficar de sunga. Endoidou de calor… Nessas horas agradecia por estar lendo meu livro do Gandhi que em toda sua loucura de jejum forçado para pagar pecado de outras pessoas e enemas diários pela constipação gerada pela dieta de frutas e folhas, tinha uma força interior de Jó. Assumia o sofrimento como a etapa inicial de um ganho futuro. Ía preso sorrindo pois assim conseguiria mover seus seguidores. Tofo teria que compensar… Mas não chegamos a Tofo! Após uma espera de mais de 1 hora com os passageiros já todos na rua e o motorista sumido na multidão, resolvemos ir até a origem do problema para buscar informações. E o que ouvimos foi desespeador: a estrada estava fechada desde o dia anterior e não teria previsão para abrir. O motorista, após termos conseguido achá-lo, esperto, falou para todos que ía abrir e que era para esperarmos mas depois descobrimos que ele não queria era devolver nossa grana já que tinham vans que voltavam para Maputo com os desistentes… Ou seja…, caos! Surgiu o boato que poderíamos atravessar a ponte a pé e vendo uma luz no fim do túnel, seguimos por 1 Km mais ou menos até a ponte com nossos mochilões nas costas (um peso só, doida para despachar coisas para o Brasil!!!). Mas o povo não sabia era nada, ficavam lá parados iguais uns bobocas sem reclamar de nada, já prontos para dormir na van se preciso! Lemos no Lonely Planet que moçambicanos são conhecidos por sua enorme paciência! Barrados na ponte, nada passava! Nem carro e nem gente! Nem Tofo e nem mergulho com tubarões baleia… Voltamos! E que volta para acabar de vez com o dia: 3h e 1/2 em uma outra van (chapa como eles chamam) paradora onde fomos 22 pessoas ao invés das 15 permitidas! E toda essa saga sem comida!!! Tínhamos levado biscoitos que só deram pro café da manhã e comemos um ananás (abacaxi) na estrada delicioso! É menorzinho, muito doce e vem com o cabinho para vc segurar e comer com a mão! Após o noticiário já em Maputo pudemos entender os motivos! A cidade nos seus arredores e grande parte da costa está alagada, em estado de calamidade tipo a região serrana do Rio ficou! Vários desaparecidos, desabrigados e mortos… A barragem que rompeu trouxe águas da África do Sul que ainda não chegaram em sua totalidade e mais chuva está por vir… Quem sabe ficaríamos ilhados por lá? Com tudo isso findamos Moçambique tristes, mais pobres, decepcionados e cansados da maratona! Anteciparemos nosso vôo para o Egito…, Há males que vêm para o bem… Ou não??? Acabamos de ouvir no jornal que o Egito está em conflito e que alcançaram o número de 450 feridos e 9 mortos…, Aiii…!

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Finalmente: arroz, feijão PRETO, picanha, batata frita e até uma bananinha frita para acompanhar!!! Céu…!

 

 

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A Chapa! Nome apropriado e literal…! Nossa chapa esquentou!!!

 

 

in Africa, Mocambique

Moçambique: de volta às terras portuguesas!

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by on Janeiro 24, 2013 at 5:36 pm

Depois de uma sumida proposital pelas praias de Zanzibar e pelos labirintos de Stone Town, repouso justo pelo duro trabalho no Kilimanjaro, cá estamos ora pois…, Moçambique! Mais precisamente Maputo, sua capital. Por um breve momento, ao olhar no chão as pedrinhas portuguesas, velhas conhecidas, achei que andando mais um pouco acharia uma Casa do Pão de Queijo, um guaranazinho bem gelado ou um bom prato de feijão. Bife já ouvia um grito ao longe: “SAI UM COMPLETO COM GRANOLA”…, como o pessoal do BB lanches pede para vir o nosso saudoso e famoso açaí. Mas infelizmente foram só devaneios de quem já começa a sentir falta da cidade natal, DA GEMA! E com ela dos seus encantos e exclusividades. Mas de todo jeito, muito bom poder falar português nas ruas e principalmente ouvir as pessoas na língua que entendemos. De colonização também portuguesa, tirando a língua, as calçadas e a violência de cidade grande…, nada mais em comum com o Rio! Pobre e subdesenvolvida, Moçambique só aparece bem no mapa por ser um país enorme e ter a sorte de ficar na costa. Suas praias são realmente bonitas e OBAAAA, ótimas para mergulho!

Chegamos aqui ontem (23/01) após pegar um vôo (de 5h) de Dar Es Salam pelas Linhas Aéreas de Moçambique. Já sentimos as diferenças culturais no avião onde as mulheres já se vestem sem burcas ou véus e os celulares já tocam com músicas normais (em Zanzibar era um tal de “AUUUMMMMAHHAAA…”, como se fosse uma oração no toque do cel). Os hotéis aqui são bem caros e sem muita estrutura. Parece que quanto mais pobre o lugar, mais caro fica! Os passeios por agência tem preços exorbitantes (Ex: um city tour de 3h custa 55 dolares por pessoa). Moçambique tem um lado artístico e cultural bem forte e é famosa por suas esculturas em madeira! Hoje visitamos um museu da arte de Moçambique e almoçamos no mercado de peixe! Muito bom! Escolhemos o peixe na hora, compramos e levamos para o restaurante ao lado para prepará-lo. Comemos “ameijôas” de entrada que é tipo um mexilhão mas menorzinho. Muito saboroso e bem temperado! Depois uma garoupa de 1,5 Kg linda! Ficamos aqui mais um dia e depois partimos para Tofo, praia na costa onde faremos o nosso primeiro mergulho da viagem com tubarões-baleia e arraias-mantas!!! Aguardem!!!

Tentaremos sempre que der atualizar as fotos na parte de imagens…, ainda algumas da Tanzania tb! Bjs a todos e até mais…

in Africa, Mocambique

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